O coeficiente de flambagem K em estruturas de aço (ou o fim dele)

O coeficiente de flambagem K ocupou, durante décadas, papel central no dimensionamento de barras comprimidas em estruturas metálicas. Seu uso foi amplamente difundido em normas técnicas, livros didáticos e na prática profissional, tornando-se quase um reflexo automático no cálculo da resistência à compressão.
Entretanto, a evolução da teoria da estabilidade estrutural, aliada ao avanço das ferramentas computacionais, revelou uma distinção fundamental que durante muito tempo foi negligenciada:
O fator K é extremamente útil e conceitualmente correto para barras isoladas — mas não apresenta desempenho adequado quando extrapolado para estruturas de conjunto.
Não se trata, portanto, de decretar a “morte” do K de forma simplista ou ideológica. O objetivo deste artigo é esclarecer onde o K funcion
O “Mistério” do deslocamento lateral em edifícios: por que a NBR 6118 recomenda H/1700 e diverge tanto da NBR 8800 com H/400?

Na prática de projetos estruturais, é comum que engenheiros que transitam entre estruturas de concreto armado e aço se deparem com uma “divergência gritante” nos limites de deslocabilidade horizontal global.
De um lado, a NBR 6118 (Concreto) prescreve um limite de deslocamento para garantir o bom desempenho em serviço, aparentemente severo, de H/1700. Do outro, a NBR 8800 (Aço e Mista) trabalha com valor limite de H/400, do topo dos pilares em relação à base.
A primeira impressão é que a norma de concreto é 3 a 4 vezes mais conservadora que a de aço. No entanto, uma análise profunda das combinações de ações e dos Estados Limites de Serviço (ELS) revela que essa diferença é, em grande parte, uma questão de referencial de cálculo, e não necessariamente de rigidez física final.
Este artigo desvenda a lógica por trás desses números.